quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Lembranças que quero esquecer



Eu sempre acreditei que por tras de tanto sofrimento existia uma cura impossivel, sempre acreditei que morrer é tão ruim quanto viver, mas sempre acreditei que por de tras de tantas oposiçoes de uma mente adolescente existia uma outra vida. Uma vida cheia de coisas novas, uma vida limpa e pura, uma vida para os arrependidos de verdade.Uma vida para aqueles que simplismente nao queriam mais ter lembranças, assim como eu.
Eu queria mesmo parar pra pensar nas coisas que ja passei com um sorriso enorme no rosto, mas é que quando me perco em tantos pensamentos e lembranças doidas eu prefiro ficar sem nada. Como uma pessoa que vive e morre todos os dias, sem saber o que fez ontem e nem o que fara amanha.
Eu fico mesmo isolada na escuridão do meu quarto, enquanto ouço minha mae gritar: ''-vá almoçar Deh, ja passou da hora de voce comer, e voce ainda tem que arrumar a cozinha e estudar.''
Eu queria gritar na mesma intensidade para minha mãe ouvir, que comer é a ultima coisa que eu quero, e que estudar já é o suficiente para quem só estuda e limpa a cozinha. Mas é que o silencio me parece mais apropriado agora, o silencio em si me parece assustador, mas as vezes eu me encontro com ele e é com ele que insisto em ficar. O silencio é realmente muito assustador, e junto com a escuridão , tudo isso me parece mais um inferno de mim mesma. Eu, meu quarto, meu silencio e minha escuridão. Mas é que tudo está tao preso comigo, aqui dentro, que ninguem pode imaginar. E nao culpo minha mae por ser tao insolente, nao a culpo , porque ela nao sabe o que se passa comigo. Ninguem sabe!E presa dentro do meu inferno particular, junto com minhas lembranças que me machucam e nada mais. Eu fico parada olhando pra o unico feixo de luz que tem no meu quarto, é aonde ainda o sol pode tentar entrar e quebrar toda essa neblina ruim. Da minha cama , vejo essa luzinha que sai da minha janela e imagino se essa luzinha poderia fazer a diferença em meio a tanta escuridão. Luz , escuridão. E dai, imaginando tudo isso a minha lembrança que tanto me corroi vem até mim novamente, como um ladrão roubando a minha mente. E entao eu me lembro de muitos meses atras, que esse quarto nao tinha dor nenhuma, muito menos escuridão, mas que existia um silencio profundo. Era quando eu e ele estavamos juntos, tudo tao iluminado, e ele fazendo parte da minha vida, fazendo minha historia, marcando lembranças que nunca poderiam ser esquecidas. Eu me lembro do cheiro, do tom de sua pele, e como era bom quando ele me chamava pelo meu nome, que era muito raro. Eu me lembro, enquanto pesso todos os dias para nao lembrar, mas é até meu nome lembra ele.

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