segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dia Normal.

Daí que estava frio. Era um frio daqueles que a gente acorda e sente medo de levantar e congelar. Aquele frio que embaça o lado de fora da janela.
Ele acorda, meio tonto porque ainda esta com muito sono. Ele odeia segunda feira, odeia frio, odeia ter que pegar ônibus com aquela chuvinha que não molha, mas não seca. Toma banho e quase morre, porque esquece a toalha no quarto, vai correndo para se livrar do frio e escorrega pelado. Machuca o braço. Pensa “Puta que paril, mas que cacete de semana que já começou mal”. Ele se arruma correndo, perde o onibus, ele sabe. Aqueles 5 minutos entre o banheiro, o corredor e o tombo foram cruciais. Chega atrasado no trabalho, ele não esta num dia bom. Só fica pensando na merda da luta do TUF da noite passada, e fica tentando lembrar o nome da menina que ele conheceu no sábado a noite. Nem ele aguenta a dor do braço , fica tentando disfarçar, mas tava doendo muito. Ele tem que ir no hospital.
Ela levantou , sabia que era mais um dia normal de uma semana normal, mais uma segunda feira que ela estava acordando 14h. E ela queria achar um emprego, mas não tinha nem pique para procurar. Daí ela ficava La assistindo a vida passar. As nostalgias do fim de semana anterior não deixavam ela ficar em paz, ela tinha feito muitas coisas que talvez não deveria. E então ela almoça sentada no sofá , achando que o tempo esta passando rápido demais. E para ela era só mais uma segunda feira comum. Mas ela não sabia. Era um dia antes do dia dos namorados, e na verdade a semana do dia dos namorados já deprime ela. E ela pensa “Ninguem merece passar mais um dia dos namorados sozinha comendo chocolate”. E vai se arrumar porque vai ter que passar no medico, dar uma olhada no olho que ela machucou no role por causa da lente.
Ele pede para um amigo levar ele no médico, discute com o chefe mais uma vez. Desta vez porque tem que sair mais cedo para ver o braço. E então ele pensa “Que merda eu fiz para esse cara ser tão filha da puta?”. O amigo atrasa, enquanto ele fica na chuva e no sereno uns 20 minutos, o cabelo meio molhado, a camisa meio molhada, a calça social, o sapato social. Ele odeia roupa social. E ele estava de mal humor, e não queria muito papo com ninguém. Só queria voltar para casa e lembrar do nome da menina de sábado a noite.
Ela não consegue achar a carteira, não consegue achar os documentos, a mãe dela briga com ela. E então ela pensa “Por que que ela esta gritando?”. Ela sabe que é irresponsável de vez em quando, e que pontualidade não é seu forte. A mãe dela esta atrasada. Ela corre, se arruma do jeito que dá, Poe a primeira blusa que vê na frente, da uma passada de Mao no cabelo para trás, sacode, sacode “deixando bagunçado, ninguém nota que ta feio”. Ela vai, morrendo de dor no olho. E só quer voltar pra casa e dormir, porque ultimamente era o que ela tinha feito de melhor.
Ele vai ouvindo Bee gees.
Ela vai ouvindo Mamonas.
Ele sai do carro apressado segurando o braço que ainda dói.
Ela sai correndo para não molhar o cabelo.
Ele é empurrado por uma menina de blusa de moleton da gap segurando a toca na cabeça. Pensa “Filha da mãe desastrada, mas não fala nada, porque ela era uma filha da mãe desastrada muito linda, muito linda mesmo”.
Ela esbarra no menino que estava na sua frente, porque a toca tampou sua visão por alguns segundos. Pede desculpa, mas nem olha para trás.
Ele entra no hospital. ‘’Bati meu braço moça, quero ver se aconteceu algo porque não para de doer.’’ Pega a senha e pega o celular para disfarçar a solidão.
Ela espera sua mãe voltar do estacionamento. Pega a senha e senta.
Ele olha para ela.
Ela olha pro nada.
Ele pensa “eu falaria com ela”. Mas a gente sempre deixa para La, para uma outra hora. Não dá para chegar em uma menina e falar Oi assim do nada, logo no hospital.
Ela pensa no quanto odeia hospitais e o cheiro de hospital. De longe ela vê a mãe dela apressada vindo em direção a ela.
Ele é chamado pelo médico.
Ela espera enquanto a mãe vai falar com a recepcionista.
Ele sai da sala e senta de novo “que merda, deu luxação”.
Ela ouve o nome dela. Levanta e vai em direção ao medico.
Ele ouve o nome dela e anota no celular.
Ela descobre que esta com conjuntivite.
Ele enfaixa o braço e vai correndo em direção ao carro.
Ela vai embora para casa, mas antes passa na farmácia.
Ele chega em casa insatisfeito e entra no facebook. Digita “Fulana de tal”.
Ela chega em casa, e entra no facebook porque precisa falar muito com uma amiga. Ve que “Fulano de tal” a adcionou. ‘’quem é esse? Será que é alguém do fim de semana passado?”
Ele fica feliz, ela aceitou. Ele diz oi.
Ela diz Oi. Eu te conheço?
Ele diz: Sim do hospital. Você esbarrou em mim.
Ela ri, ele ri.
E então de repente sem mais nem menos, eles se conhecem, e se curtem, e se gostam. Porque as coisas são assim. E no outro dia trocam sms. E se ligam, e see veem..  E agora a vida deles são escritas junto. Porque quando é para ser, é assim sabe? Acontece. Aquele dia, era só um dia normal. E então os dias começaram a fazer sentindo, a vida meio que confusa, meio que demorada fez eles se encontrarem.  E hoje ele e ela dormem e acordam e pensam um no outro, e fazem cada um ser ser feliz da maneira que dá, da maneira que chega ao alcance. E é assim que é, porque assim que tem que ser.




Nenhum comentário:

Postar um comentário