Ele era um estranho, um estranho lindo do meu lado, me beijava falava sobre sua vida e me beijava de novo. O beijo dele tinha gosto de melancia e eu pensei que talvez se eu quisesse eu poderia gostar um pouco dele. Um pouco, suficiente pra quem sabe te tirar de mim. Dai ele me olhou com aquele olho meio verde meio mel, e disse num tom carinhoso de quem quer me ganhar "você seria perfeita se nao gostasse daquele cara" , eu ri, pensei ele mal me conhece, pensei, e ele seria perfeito se ele fosse o outro cara. Mas eu nao disse nada, ele nao precisava saber que mesmo ali minha cabeça estava em outro lugar.
Ele pergunta se eu quero beber alguma coisa e eu penso, que se fosse antes eu tomava todas, a gente se divertia bebendo, mas agora nao, eu digo que nao "um suco" ele pede um chopp. E a gente conversa, ele fala fala fala, eu até gosto de ouvir a historia da vida dele, mas trocaria aquela historia por qualquer comedia romantica. Ele é tão legal, e tão cavalheiro, e tenta tenta, tentativas falhas de me fazer olhar para ele um pouco, porque ele sabe que mesmo olhando, eu nao vejo quem ele quer mostrar. O duro de estar apaixonada por você é que o resto do mundo vira nada. Ele me beija, e se esforça para me ganhar , mas ainda assim ele é nada, um nada que eu resolvi sair para tentar te tirar de mim. Nao da! Por uns segundos eu me arrependo amargamente de ter saido de casa, eu poderia estar sentada no sofá com a sua blusa da khelf que fica enorme em mim, comendo pipoca e assistindo qualquer comedia romantica. Eu poderia estar passando pelo luto como a maioria das meninas faz, mas nao , eu quis sair, eu quis encontrar com esse cara estranho, lindo e com gosto de melancia para ver se alguem me fazia pensar menos em voce. Fodeu, eu to pensando mais. Resolvo pedir um chopp, são só 21h, sera que fica estranho se eu pedir para ir embora? Resisto, insisto, ha de passar, penso em engenharia, que é o que ele faz, penso em abacaxi da batida que ele disse que gosta, voce, voce, voce. Que inferno! Dai eu beijo ele, mais um chopp, ele fala, eu beijo, eu aperto, você tem que sair daqui. Cara, você nao tem esse direito, ta invadindo meu espaço. Voce, voce, khelf, seu cheiro, nós dois. Mais um chopp. Pronto, minha boca ja esta adormecida em um sorriso, consigo fingir bem, ele me olha e ri, eu fico envergonhada, ele passa minha franja para tras e diz que eu fico linda sorrindo. Caralho, ele é lindo. Dai me olhando me diz "você falou tao pouco de você" , realmente eu nao falei quase nada e ja sabia quase a vida inteira dele, eu nao quero falar, porque se eu começo a falar eu começo a pensar e pensando me vem você e dai vou ter que beber mais um chopp e eu nao quero mais entao eu beijo. E ele me beija, e me beija, ele nao tem mais nada para falar, e nos beijamos. O beijo dele é bom, tem gosto de melancia com chopp e cigarro. Beijamos, beijamos, 23h. Pode me levar para casa? Ele ri, chama o garçom, caminhamos devagar até o carro. Me desculpa. Ele ri, pega minha mao, me puxa, me beija, agora em pé fica tudo bem melhor. Penso em chorar, mas só penso, eu queria tanto conseguir gostar dele, só para nao gostar de você. Mas nao da, nao da. Ele me abraça, eu penso que ele é um pouco brega de tao romantico, dou risada, ele tambem. 23:30 "to te deixando cedo em casa em, seu pai me deve essa", dou risada, ele me beija e me beija. E talvez esse seja o ultimo, eu penso, vou aproveitar. Abro a porta "Debora?" "oi" "posso te ligar"... Eu penso, penso que daqui a pouco começa tudo de novo, todo o infarte começa outra vez. "Pode!". Ele foi embora, cheguei em casa e chorei, chorei tudo que eu tinha para chorar, vesti sua blusa, liguei a tv. Meu telefone vibrou, poderia ser voce, mas nao era, era ele "Boa noite linda, quando pensar menos nele, me da uma chance?".
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