terça-feira, 20 de abril de 2010

Stranger.

Tudo dói. Minha cabeça gira, meu corpo imóvel permanece ali. Tudo esta tão terrível, tudo esta ta tão assustador. Minha cama me suga cada vez mais para dentro do mofo do meu colchão. Bem de longe e distante consigo ouvir os pingos de chuva que caem na janela ao meu lado. Esta tudo tão escuro aqui, e dentro da minha mente eu fico perguntando ‘’Como é que eu vim parar aqui?’’. E o que mais me assusta não é o fato de estar deitada na minha cama as 4h da manha , o que mais me assusta é não saber como vim parar aqui. Fecho os olhos e tento me recordar, meras passagens, musica alta, risos e de repente tão escuro. Ah, eca. Sim de repente tudo esta tão escuro, e então eu acordo no meu quarto, sem saber como cheguei, e nem porque estou com o pijama de bolinhas que ganhei da minha avó no natal de 2007. Sinto frio, mas como se tivessem correntes me prendendo, meus braços permanecem ali, parados, como se algo os sugassem para dentro da cama e eu não consigo pegar o edredom que esta só a 1 metro de distancia de mim. Que frio!
E no meio de tudo isso, eu vi o rostinho meigo e tão delicado dele. Perdido em tantas coisas que passavam pela minha cabeça, apareceu ele. Lá , quietinho, esperando que eu o buscasse daquele fundinho de memória e resgatasse tudo que eu chamava de passado presente. E seja La o que for que ele estava fazendo ali, não me interessava mais, mal me interessava o que eu estava fazendo ali. Porque para mim é mais importante olhar para dentro dele do que para dentro de mim, e então o mais doce e agradável sentimento passa pela minha dor de estomago e cabeça, e minha dor de não conseguir me mover e envolve meu pequeno coraçãozinho que está quase explodindo por causa daquele fermento... Fermento?...ah meu pobre coraçãozinho... e sim o ser que eu adoro sempre olhar para dentro, sim esse ser esta dentro de mim.
Eu mal entendia no meio daquilo tudo porque Ele ainda permanecia em mim, e permanecia e permanecia. Por que ele continuava fazendo parte do pouquinho de fé que restava em mim. Sinto a lagrima quente escorrendo sobre meu rosto e molhando meu travesseiro, mas não consigo me mover para poder empurrar as outras gotinhas que tendiam a cair. Fiquei ali, esvaziada de algo que mal sabia que podia estar. Sozinha, por que estava sozinha?
E então no meio de toda a minha própria confusão entendi que Ele não partiria a não ser que eu pedisse, e que Ele não surgiria a não ser que eu quisesse. Que com toda a sua educação e sua classe, e doçura, Ele permaneceria ali imóvel como eu, chorando comigo sem que eu pudesse notar. E tentando me ajudar, e tentando me tirar de toda essa miséria. De toda essa dor, que eu sozinha entrei. Que sem deixar ele impedir eu segui adiante.
Ai minha cabeça ainda dói, mas tudo esta tão claro dentro de mim, tudo esta tão sincero. Mesmo estando tão longe, no interior mais interior da minha mente, eu posso ouvir sussurros, baixinhos, educados, em um tom como se estivesse pedindo algo. Não conseguia entender o que era, e então pude sentir sob minhas mãos algo quente, mãos muito maiores que as minhas, que cobriam todo e qualquer tipo de medo, e toda a dor, e todo medo, e toda confusão se escondeu atrás daquela Mao e como era boa aquela sensação. Com mais clareza pude ouvir uma voz, que dizia baixinho para não machucar minha mente e minha cabeça ‘’filha, nunca mais falou comigo, na verdade sinto falta de você. Triste, você ficara assim tão triste enquanto estiver longe de mim’’. E então, minhas lagrimas que aumentaram com freqüência, começaram a molhar minha boca e enxercar o meu travesseiro. Não estava mais sozinha, não estava mais com medo. Com muita dificuldade apertei aquela mão. E pude descansar sem dor.

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