quinta-feira, 26 de maio de 2011
Vai chover
É o movimento das nuvens cinzas que tapam o azul do céu e escurecem o meu quarto sem luz para acender. É eu do outro lado da janela observando o céu ficar escuro as 16:13 porque as nuvens vem trazendo a cuva. É são Bernardo inteiro escurecendo e eu aqui no meu canto isolado e quase inexistente procurando um fio de luz por trás das nuvens cinzas. Quase não consigo ver mais do que apenas sujeira no céu e um borraozinho em forma de circulo que é o sol ali escondidinho. É o vento que não invade meu quarto, mas que posso vê-lo movimentando as arvores que de longe indicam que o frio esta muito mais próximo. Tenho tantas coisas para fazer, tantas coisas para me preocupar, mas no momento a única coisa que consigo pensar é ‘o que farei quanto tudo já estiver escuro?’. Alias não é uma escuridão que vem todos os dias acompanhada de lua e estrela, é uma escuridão que vem antes do sol se deitar, é uma escuridão que vem antes de podermos dizer boa noite. É uma escuridão que definitivamente não esperamos, mas todos acham normal, é uma escuridão carregada de chuva, de trovão, de raio. É uma escuridão que me assusta. É um monte de sujeira que tampa as coisas naturais da vida, é um monte de poluição que esconde o céu azul e o sol no seu estado normal das 16:30. Eu penso nisso tudo em uma forma simples de explicar ele, ele era sujo, ele escurecia as coisas que eram claras por natureza. Ele tinha o poder de simplesmente mudar a minha rotina normal, ele tinha o poder de trazer chuva e barulho e bagunça. E era exatamente isso que ninguém conseguia entender. Por que Débora, deixar um menino desse bagunçar a sua vida? Ele é sujo, não deixa te contaminar. Era eu no meu estado tão normal que conseguia ver que por trás de toda poluição estava La, um sol quentinho, um céu azul. Por trás de toda tempestade parte dele era tão natural quanto tudo. Era tão mais natural que eu e minha vida estranha e patética e simples demais pra se compreender. Ele veio para trazer a tempestade enquanto eu era água calma, ele veio para refazer toda poeira que eu já tinha acalmado. Ele veio para me fazer sentir medo de quase tudo que fazíamos, veio me fazer sentir um frio na barriga que faziam minhas tripas qritarem de nervoso, mas que sempre tirava um sorriso enorme de nós dois. Era a parte vento, tempestade, trovão e chuva que tampava toda minha vida normalzinha de sol as 16:45. Eu tinha um medo enorme de estar com ele, mas enquanto isso parte minha sempre queria ‘o que eu faria depois que toda a nuvem cinza tampasse o sol? O que eu faria quando começasse a tempestade’. E é isso que todos não entendiam, todo mundo tentava me tirar de trás da janela, todos tentavam me levar para longe da chuva, mas eu queria ficar ali, porque enquanto tudo aquilo era normal pra todo mundo, pra mim era medo, bagunça, tempestade, frio na barriga. Eram as coisas que me faziam esquecer todas as minhas obrigações , só pra ter a sensação de não saber definitivamente o que fazer. Até hoje eu não sei explicar ele, mas vejo como nuvem cinza que tampa o sol e escurece o dia. É devagar, lentamente, friamente, calculadamente ele esconde os aspectos naturais das coisas e me fazia diferente só por estar ali. Fim das contas, eu descobri o que acontece quando finalmente o dia fica noite antes da hora. Eu descobri o que acontece comigo quando tudo fica escuro. E foi exatamente disso que todo mundo tentava me privar. Da solidão, e do medo que vai embora e vira conformismo. A tempestade que baqunça , que esfria, que molha. E eu no meu estado tão normal, só que aqora no escuro e continuamente sozinha.
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