domingo, 7 de agosto de 2011

Nao tem soluçao

Ele me olhou e disse o quanto eu era a puta dele. Eu ri, ri por fora e gritei por dentro. Não é bem assim. Não é assim mesmo sendo assim agora. Eu ri por fora porque estava mesmo sem condiçoes  de não rir, o teto contorcido e eu só me sentia segura em segurar a Mao dele suada que não conseguia ficar parada. E o jeito como ele me olhava, e como ele me tratava, e como ele pensava de mim, me espancando, me estuprando. Sua dada, fácil, bêbada, é minha quando eu quero e de todo mundo quando querem.  Mas então, alguém aqui me conhece? Todo mundo te conhece Débora, só você que não, só você que insiste que talvez a menina de 13 anos ainda exista em algum lugar de você. Mas não, você já deixou de se valorizar a muito tempo. E todo mundo me diz que eu preciso parar de beber, e eu sei que preciso parar de beber, e todo mundo me diz que eu sou muito bonita para estar fazendo isso. E todo mundo pensa que sabe como é dentro, e todo mundo pensa realmente que me conhece. E a Mao de um filho da puta desconhecido que me acha uma puta é a única coisa na qual me deixe segura agora. Aonde estão meus pais?. Aonde você os deixou Débora, você os deixou a muito tempo e não percebeu ainda. Ele me olhou e disse pra eu relaxar, relaxar a pica que eu nao tenho. Vai empurrar a cabeça da sua mãe pra baixo seu filho da puta, quem você acha que eu sou? Relaxa. Para , espera, assim não dá, quem é você afinal? Voce sabe quem sou eu. Não eu não sei sai daqui. Ok. Não, só fica aqui um pouco, sem precisar que eu faça alguma coisa. Não, você serve pra isso, você é o lixo da humanidade garota, mas relaxa você não é a única se te serve de consolo. Vai embora. Estou indo, se você soltar minha Mao fica ainda mais fácil pra eu me vestir. Não se veste. Mas eu vou embora. Não , não vai. Eu quero ir, não é você sério é que já deu. Não, não dei. É e eu não quero mais. Se você tivesse tempo de só não trepar um pouco e conversar mais, se você só pudesse me ouvir, me ouvir, ouvir tudo que eu preciso dizer pra todo mundo, mas ta guardado.. Ele saiu do quarto e então é só eu e minha brisa sem ter uma Mao pra garantir que a cama ou o teto vão me engolir. Ninguém te ouve Dé, é tudo conspiração. Voce é uma boneca pra eles, uma boneca deles, sem sentimento, de borracha, boneca inflável filha da puta. E então eu não sou assim, eu sei que não sou, eu sei que talvez tenho tido minhas milhares de falhas, e sei que de repente eu me tornei a menina que eu falava mal a uns anos atrás. Mas é que ninguém entende, ninguém vê, o que tem por dentro não é artificial enquanto tudo isso é. O que tem por dentro foge disso, grita comigo o tempo todo para deixar de ser só isso. É que dói e ao mesmo tempo eu já estou aqui, e eu nem vi quando foi mesmo que eu apareci assim. É que todos vão embora, e nem da tempo de eu dizer quem eu realmente sou. E no meio da carência de só provar que  no fundo tem mais aqui pra oferecer do que apenas lixo. Eu não sou um lixo, eu não sou uma puta disfarçada de crente. Eu sou crente disfarçada pela dor, eu sou errada disfarçada pelo medo de acertar. Mas é tudo uma questão de que é só ficar um pouco. De que é só deitar um pouco. É só dormir um pouco e acordar com cara amassada, mas com um sorrisinho por só acordar ao lado dele, ou de alguém, ou de algum e eu não to pedindo que me ame, só to pedindo um pouco de espaço ou respeito ou seja La como os homens chamam isso. Ainda existe? É só eu tentando acreditar que no meio de tantos lixos, de tantos que tinham os olhos frios como o dele que fechou a porta, ainda exista um homem. E as minhas amigas dizem que pra eles me darem valor eu tenho que me dar ao valor, custe isso o que custar. E eu só digo que sei, porque eu sei mesmo. Mas então posso chorar agora? E eu chorei, chorei até não ter mais maquiagem, chorei ate não aguentar de dor, chorei e me condenei. Chorei, eu só chorei. E então sai de La armada, mais uma vez. Pronta pra o que vão falar e todo mundo vai acreditar, pronta para a guerra deles, com uma puta sorriso na cara de munição, e talvez eu consiga fingir pra eles que ta tudo bem, que eu não me importo com o que falam. Que eu aguento tudo, que eu sou foda mesmo. Enquanto a nova maquiaqem esconde as veias inchadas de dor, de magoa, de dor.    

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