Então eu descobri que não vejo mais graça quando eu sentei com meu copo vazando Whisky e congelando minha mão, e então senti frio. Dentro daquela balada, no meio daquele monte de gente igual, dançando igual, vestido igual, falando igual, bebendo igual, ficando gradativamente cada vez mais exaurido e cansado. Todos tão iguais, tão parecidos. Aquela fumaceira, aquele som alto estourando meu ouvido, aquele monte de gente cuspindo o dinheiro que não tem, cuspindo a felicidade que não tem, cuspindo a sanidade para fora.
Dai eu percebi, e eu não quis me parecer com essa gente, não quero mais ser assim, não quero mais dançar igual, me vestir igual, beber igual, ficar gradativamente cada vez mais insana e cansada igual a todo mundo aqui. Não quero mais porque isso dá um frio danado, e uma dor de cabeça danada, e ser igual é um tedio tristonho que enruga o nariz da gente e deixa a gente feio. Mesmo porque no fim das contas nem sei bem o que é que eu vim procurar aqui, não tem ninguém interessante, ninguém diferente, ninguém que valha a pena uma troca de olhar e muito menos a dor de estomago de amanha. Todo mundo igual, procurando coisas iguais, superficiais e passageiras.
Olhei para mim e para todo mundo, e a unica menina estranha sentada no camarote com cara de bunda pela primeira vez foi a menina mais linda que eu vi em mim. Foi pela primeira vez a menina mais interessante que eu consegui ser. Fui pela primeira vez o peixe fora d'agua mais feliz do mundo, mesmo querendo sair naquele mesmo instante daquele lugar barulhento e quente. Porque eu, eu estava com frio.
Agora sentada em frente meu computador, nesse frio absurdo lá fora, recordei dos dias em que eu amava ser igual a todo mundo, os dias, que não fazem muitos dias, em que eu não me importava em ser/fazer parte desse bando. Senti vergonha, mas ao mesmo tempo um certo orgulho. A gente muda, a gente cresce, uma hora ou outra a gente senta e passa por uma transformação momentânea A minha foi assim, me deu um frio danado, uma repulsa danada e um olhar tão sublimemente diferente que não me deixa ser igual, que insiste que esse frio tem um sentido absoluto para mim agora. Só não dá mais, essa vida só não da mais.
Só agora eu percebi que sim, a gente vai se encontrar. Mas não vai ser no meio dessa gente igual, não vai não. A gente vai se encontrar de repente, por aí. E eu sei disso porque tenho certeza que quando te encontrar esse frio vai se tornar um frio de 40º. Diferente, mas a gente vai, ah vai. Hoje, amanha, daqui um mes ou quatro anos. Esse frio vai passar de repente, e vai ter valido a pena ter cansado dessa vida tão igual.
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